Sim as vezes sou cruel, sádica sou perversa, tenho a alma humana. As vezes me choco, me
magoo, me comovo, mas muitas vezes a crueldade mundana me passa
desapercebida por olhares perdidos. As vezes me enoja olhar a
natureza humana que maltrata, que machuca que devora a alma,
mas as vezes sou eu quem a devoro.
Sim sou eu em minha
mais pura essência, sou devassa puta mas as vezes me recolho a minha
insignificância perante a alma soberba. Sou de alma grande mas bem
pequena perante a vida que destrói todos os sentidos e corroí todos
os instintos que lutam por sobrevivência.
Rio e choro da desgraça
alheia pra não chorar diante de minha própria desgraça. Avanço o
sinal, não paro, não penso vivo. Mas quando paro e reflito sinto
tudo e me sinto nada.
A vida confunde,
devora, atropela e a realidade vem nos assombrar.
Sou humana, tenho a
alma e os instintos humanos sombrios e apavorantes, me permito apenas
gozar, realizar. Sou má, já desejei a morte de muitos e a minha
própria, não que isso me faria matar, ou matar-me, mas desejo e
sinto, me delicio com a ideia. E quem não?
Quem pode-se dizer
perfeito de alma pura? Todos temos a sombra dentro de nós, todos
temos uma escuridão na alma. Uns a escodem, outros a utilizam mas
outros como eu a equilibram e vivem com isso sabendo que tudo faz
parte de uma única natureza.
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