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quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Escrevendo...

Vendo, lendo, ouvindo, sentindo. E como ando sentindo. Absorvendo tudo ao meu redor. Sentimentos de absoluta dor, solidão e o vazio que me atravessa a alma sem piedade. Alma essa que sei não possuir, mas a possuo apenas como sentimento profundo. Sou apenas corpo, dor e solidão, sem alma ou espirito, sem desejo ou vontade.


Lembranças e mais lembranças de que um dia nada fui e de que nada serei me atormentam me levam as lagrimas e a loucura. Afinal o que sou senão o nada? Tento buscar na memoria algo que realmente me fez feliz, algum momento de felicidade plena, me perco em pensamentos obscuros e nada vem à mente de momentos assim. Terei realmente vivido? Vivi intensamente a dor, a dor que nos transforma em algo muito mais profundo do que alguém pode imaginar ou sonhar. Vivi na noite, na escuridão entre a vida e a morte. A morte que pulsa em mim, que a vida me fez desejar a cada segundo. Vivi ilusão, fantasia tentando fugir do real. Real que apavora, amedronta e causa repugnância. Medo que hoje já não habita em mim, ou talvez nunca tenha habitado por criar barreiras e defesas contra o que é real.

Loucura, insanidade, paranoia, real e racional. Tão longe e distante, tão perto e absolutamente perto de tornar fragmentos de mim mesma, de criar várias de mim com pensamentos tão diferentes e distantes uns dos outros. Confrontando-me a cada dia que passa, mudando do dia pra noite como se nada fosse sólido o bastante, palpável o bastante. Tornando sem querer o que não sou naquilo que sou querendo ser o que não sou e voltando o tempo inteiro pro que realmente sou o nada que fica em meu ser, o vazio do ser, que me faz ser nada e solidão por completo. E que faz com que me entregue inteira a dor, a tristeza e a morte.

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