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segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Poesia

Mario Quintana disse que uma boa poesia não é aquela que a gente lê, e sim aquela que lê a gente. Então vai ai uma ótima poesia.

Psicologia de um vencido
Eu, filho do carbono e do amoníaco,


Monstro de escuridão e rutilância,

Sofro, desde a epigênese da infância,

A influência má dos signos do zodíaco.
Profundissimamente hipocondríaco,

Este ambiente me causa repugnância...

Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia

Que se escapa da boca de um cardíaco.
Já o verme - este operário das ruínas -

Que o sangue podre das carnificinas

Come, e á vida em geral declara guerra,
Anda a espreitar meus olhos para roê-los,

E há de deixar-me apenas os cabelos,

Na frialdade inorgânica da terra!
                                                  Augusto dos Anjos

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