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quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Corrupção Mata

Irena Sandler

Corrupção Mata
Outro dia li a história de uma senhora alemã Irena Sandler. Uma história linda e emocionante. Durante a segunda guerra mundial está mulher conseguiu salvar 2500 crianças, sozinha, e esconde-las, até o dia em que foi apanhada pelos nazistas, torturada e pressa. Depois de passar por tudo isso ainda teve forças pra procurar a família dessas crianças e arrumar novas famílias para aquelas que ficaram órfãs. Uma história de coragem e luta. Uma pessoa incrível, que lutou contra Hitler e sua politica, que se arriscou por uma questão de humanidade e amor ao próximo, que não se deixou contaminar pelo ódio de Hitler, e nem se acovardou diante do seu poder. Ela podia ter simplesmente se calado e vivido a vidinha dela e fingir que nada estava acontecendo, mas não, ela fez algo. Ela não pode salvar todo mundo, mas mudou a história de muitos.
Diante disso fico me perguntado o que é nos temos feito pelos outros? Stalin e Hitler, grandes assassinos da história, uma ferida que todos querem esquecer. Mas parem pra pensar, a corrupção no Brasil não tem feito o mesmo? A corrupção mata todos os dias muitos brasileiros, essa politica tem matado muitos brasileiros, muitos de fome, outros nas filas dos hospitais públicos, outros morrem pela violência, pelo trafico, pelas drogas. E o que nos temos feito contra isso? Nada além de reclamar, fazer piadas sobre corrupção, e revoluções em botecos. Tudo virou banal as nossas vistas, passamos por mendigos, crianças jogadas nas ruas, meninas que se prostituem, e simplesmente fechamos os olhos para a realidade dessas pessoas. É tão comum cenas como essas que ficamos todos entorpecidos, sem sentimentos diante delas. Passamos e não vemos, discutimos, debatemos e nada fazemos.
É inconcebível que um deputado ganhe mais de 24 mil reais por mês enquanto uma mãe é obrigada a vender seu filho pra escravidão, ou prostituição por 50 reais pra alimentar os outros filhos que ficaram. Condenar seu filho a uma vida inteira de escravidão e sofrimento por um alimento que às vezes não dura nem um mês, é inconcebível que um politico que deveria trabalhar por um salario mínimo e por amor ao seu país ganhe muito, mais muito mais que um professor que estudou a vida toda, que trabalha pra caramba, que enfrenta o desafio de lecionar em escolas públicas e que tem uma das profissões mais lindas que existem, ou um médico que salva vidas, um policial que arrisca a própria vida todos os dias, entre tantos outros profissionais tão necessários quanto estes. Agora, será, que deputados, senadores, vereadores são tão necessários assim? Talvez até fossem necessários se eles estivessem ali pra realmente representar a população, só que eles estão ali representando apenas os próprios interesses, ou seja, nossos interesses não são representados por ninguém, então pra que temos que pagar os salários deles? Se políticos recebessem salario mínimo, quantos iriam querer estar lá? É inconcebível que nos cidadãos brasileiros que pagamos os mais altos impostos não tenhamos direito a uma educação decente, a hospitais funcionais e com excelente atendimento, a segurança básica entre outros direitos básicos de um cidadão, e que esses mesmos impostos sejam utilizados pra pagar altos salários pra que eles tenham do bom e do melhor, e que mesmo assim não satisfeitos ainda roubam nosso dinheiro.
O Brasil tem condições de ser um país de primeiro mundo não fosse a corrupção, não fosse os milhões quiçá bilhões que são surrupiados todos os anos dos cofres públicos, não fosse os gastos absurdos com os deputados, senadores, vereadores etc... O país anda tão apático e sem amor próprio que o caso Jaqueline Roriz será rapidamente esquecido como tantos outros, e os corruptos sabem disso e se aproveitam disso. Eles saem e logo estão de volta e participando ativamente no governo. Tudo nesse país é esquecido, não é apenas nos casos de corrupção, assassinatos são engavetados e esquecidos, e assassinos ficam em liberdade, ou alguém acha que os verdadeiros assassinos da freira Dorothy Stang, ou da juíza Patrícia Acioli, e de tantos outros serão condenados e presos? Se esses casos são esquecidos imagina das pessoas que não tem visibilidade.
Não quero dizer aqui que nos temos que sair por ai tentando resolver os problemas das pessoas mais necessitadas, a grande responsabilidade com elas é do governo. Mas a responsabilidade de lutar contra a corrupção é nossa, é todo mundo ir as ruas, fazer abaixo-assinado, pressão popular, votar nulo ao invés de votar no “menos pior”, juntar todos contra a corrupção, essa luta é justa, essa luta é que vai ajudar os mais necessitados. Sei que às vezes da desanimo, e o pessimismo bate mesmo, é desanimador olhar em volta e ver um mar de ignorância, preconceito, onde as pessoas preferem falar mal de homossexuais, e, aliás, se chocam mais com a cena de dois homens ou duas mulheres que se amam do que com crianças passando fome, crianças essas que poderiam ser tiradas das ruas se a “burrocracia” e o preconceito desse país não dificultasse tanto a adoção por parte desses mesmos casais gays que tem amor de sobra pra dar a essas crianças, um país que dá mais valor ao carnaval, fofocas e futebol do que com questões importantes, como a corrupção, a fome, a miséria etc... Onde as pessoas continuam votando em “Malufs”, “Sarrneys” políticos claramente corruptos, um país onde pessoas que tentam lutar por justiça, que se levantam pra fazer o bem acabam mortas e esquecidas, ou são obrigadas a deixar seu país por não terem a proteção necessária dentro dele, um país dominado por uma emissora de TV que faz justamente com que as pessoas ajam dessa maneira e se conformem com tudo.
Mas ainda assim não devemos desistir de lutar. Eu acredito que só quando o povo acordar, e deixar de se conformar com a miséria, a corrupção, a falta de vergonha e ética, e começar a lutar contra tudo isso é que esse país vai mudar. Só a pressão popular, a cobrança, e até uma revolução vão mudar esse quadro dantesco em que vivemos hoje.
E se você pode ajudar o próximo faça, você pode até não salvar todo mundo, mas pode mudar a vida de alguém. Pequenos gestos podem fazer a diferença. O que esse país precisa é de gente inconformada, de mais amor e humanidade, de pessoas como Irena Sandler. Então pare e pense o que você pode fazer hoje por um país mais justo?

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Carta de agradecimento ao Sr. Marquinho Mendes


Caro prefeito, eu como cidadã Cabo-friense venho por meio dessa agradecê-lo por sua ótima gestão, principalmente no que diz respeito ao turismo. (Kkkkkkkk... Espera me lembrei de uma piada!) Afinal de contas a cidade é para o cidadão e não para o turista, não é mesmo? Turista pra que? Os turistas podem até gerar renda, mas eles adoram sujar a cidade, quebrar coisas, incomodar os moradores, né. Ótima sacada heim prefeito.

Tenho que dizer aqui que cada vez que passeio pela cidade, e vejo lojas falindo, pessoas sem emprego, camelôs e mendigos que se espalham pela cidade a olhos vistos, pousadas e hotéis as moscas, e o descaso com o patrimônio público e pontos turísticos, tento me lembrar de que o senhor fez tudo isso pelo bem do povo. (kkkkkkkkk... Aff... Hoje as piadas resolveram voltar à memória, todas de uma vez) E sei que todos aqueles que vivem do turismo direta e indiretamente vão concordar comigo, que apesar dos pesares a cidade está cada vez melhor, é só parar pra pensar, veja bem como as coisas melhoraram, podemos até citar alguns exemplos... hum... Deixe me ver... Eu poderia dizer que... Nossa veio um vazio agora na minha mente. Espera, passemos para outros tópicos e agradecimentos.

Queria também agradecer pela passagem de um real, nossa incrível essa ideia, né, assim o povo fica feliz e esquece o problema do monopólio, eu mesma fico super feliz esperando às vezes mais de uma hora em pé no ponto pelo ônibus da salixeira, ops, digo salineira. Mas ainda bem que eu não trabalho, assim eu posso esperar porque não tenho pressa, se eu trabalhasse seria obrigada a pegar um ônibus mais caro pra não perder a hora, mas como na cidade já não existe empregos eu posso perfeitamente pagar um real, olha que maravilha.

Também temos que dizer que estamos todos impressionados com tantos processos contra o senhor. Como assim? Como alguém pode abrir processo contra uma pessoa tão honesta, mas ainda bem que a justiça é cega, e você tem muitos amigos na ALERJ, no MP, no Governo do RJ, que sabem o valor de um homem honesto como o senhor, e por isso seus inimigos nunca conseguem te derrubar. O senhor não sabe como ficamos felizes cada vez que você volta sempre lindo e sorridente. (kkkkkkkkkkkk... Nossa tá demais esse negocio de piada)

Ah! Também tenho certeza que os funcionários públicos, e eu não sou uma delas, já que não consegui passar no concursos de cartas marcadas, digo de provas compradas, digo, a deixa pra lá... Mas como eu ia dizendo, os funcionários concursados, não seus contratados, estão super felizes com seus salários, principalmente os professores, a gente vê que o Senhor é uma pessoa que valoriza a educação. E a área de saúde então, essa sim é uma beleza, afinal saúde é com você mesmo, né. Olha eu pessoalmente já fui conferir, nunca fui tão mal, ops, tão bem tratada em toda minha vida, foi muito comovente perceber que pela primeira vez o médico me receitou dipirona ao invés do tradicional voltarem. O Hospital da Mulher, e da Criança são dois exemplos incríveis de como as pessoas são super bem tratadas nesse seu governo fantástico.

Eu poderia ficar aqui falando horas sobre sua maravilhosa gestão, mas a emoção já é tanta que fico com medo de vomitar em cima do teclado. Então vou ficando por aqui mesmo. Valeu Marquinho, o povo de Cabo Frio agradece!

Clara Lafetá
A morte é só o retorno ao nada absoluto, o mesmo nada que era se antes de nascer.

domingo, 16 de outubro de 2011

Pensamentos...

Kali - Deusa da Morte
Já não sei quem sou hoje sou apenas nada. Sou eu em minha mais pura essência. Já não sei se quero ser, se algum dia serei. Como sentir? Como ser? E ser o que, se nada sou. Sinto como se eu fosse um buraco imenso na imensidão do mundo. Um profundo e absoluto nada. Morre a alma, morre o desejo, morre a vida, só não morre a dor e melancolia.


Sinto por mim um desprezo enorme, algo que nem mesmo eu entendo, nem ao menos sei explicar. Só sei que é tão forte e profundo que dilacera a alma, a ponto de já não saber quem sou. Olho e já não me vejo, já não caibo mais em mim, já não pertenço a esse corpo. Corpo que odeio que me enoja, alma que desprezo, ser desprezível.

Sinto-me cruel, antes de tudo, cruel comigo mesma. Sim fui cruel comigo, fui cruel com a vida, com os outros. Fria, egoísta e acima de tudo covarde. Mas sou aquilo que sou não posso mudar. O que querem de mim? Não posso mudar, não posso fingir, antes de qualquer coisa sou real. Sei o que sou, e o que não sou, sei como eu me sinto, ou como não me sinto.

Tristeza que me corta a alma, que dilacera a pele, que sangra, sangue que escorre que se misturam a lágrimas, lágrimas que já não tenho. Choro minha dor, a dor que se torna prazer, e que retorna a dor ainda mais pesada e intensa. Viver ou morrer, que diferença faz? Morrer é sair do nada para um nada ainda mais absoluto, onde não há dor, pensamentos ou sentimentos. É apenas o fim disso tudo que chamam de vida.

Eu não temo a morte, temo a vida. Viver dói, cansa, perturba, machuca. Já não quero mais fugir, apenas me entregar cansada aos braços da morte. Desejo absoluto pelo adormecimento eterno, sem sonhos ou fantasias, sem medos e tristezas, sem dor, sem vazio.

Escrevendo Palavras

Escrevendo a dor


A dor que sou

Que me faz e me desfaz

Que me leva pra fora de mim

E me devolve ao que sou.

Essa dor que grita e esvazia a alma

Que geme na solidão, no vazio do espaço.

A dor que dilacera que queima que sangra.

A dor que sinto que não sinto

Que torna tudo em vazio.

Já não sei se sou se quero ser.

Já não sei ao certo se quero viver,

Nem ao menos sei se vivo.

Sinto, sonho, me calo, fujo.

Olho e vejo o vazio, o buraco, caio.

Ando por cima de fantasias, e desventuras,

Sinto o real imaginário. Sangra a ferida.

Escrevo, apago, reescrevo rasgo.

Invento, reinvento, trago.

Crio, recrio, minto.

Grito bem alto para o vazio na solidão.

Choro sem lágrimas, choro vazio, choro confuso.

Não, não quero ser mais nada.

Não, não sou mais nada,

Não tenho essa ilusão.

Morte morrida? Morte matada?

Não, só a morte da alma.


segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Poesia

Mario Quintana disse que uma boa poesia não é aquela que a gente lê, e sim aquela que lê a gente. Então vai ai uma ótima poesia.

Psicologia de um vencido
Eu, filho do carbono e do amoníaco,


Monstro de escuridão e rutilância,

Sofro, desde a epigênese da infância,

A influência má dos signos do zodíaco.
Profundissimamente hipocondríaco,

Este ambiente me causa repugnância...

Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia

Que se escapa da boca de um cardíaco.
Já o verme - este operário das ruínas -

Que o sangue podre das carnificinas

Come, e á vida em geral declara guerra,
Anda a espreitar meus olhos para roê-los,

E há de deixar-me apenas os cabelos,

Na frialdade inorgânica da terra!
                                                  Augusto dos Anjos