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| Kali - Deusa da Morte |
Sinto por mim um desprezo enorme, algo que nem mesmo eu entendo, nem ao menos sei explicar. Só sei que é tão forte e profundo que dilacera a alma, a ponto de já não saber quem sou. Olho e já não me vejo, já não caibo mais em mim, já não pertenço a esse corpo. Corpo que odeio que me enoja, alma que desprezo, ser desprezível.
Sinto-me cruel, antes de tudo, cruel comigo mesma. Sim fui cruel comigo, fui cruel com a vida, com os outros. Fria, egoísta e acima de tudo covarde. Mas sou aquilo que sou não posso mudar. O que querem de mim? Não posso mudar, não posso fingir, antes de qualquer coisa sou real. Sei o que sou, e o que não sou, sei como eu me sinto, ou como não me sinto.
Tristeza que me corta a alma, que dilacera a pele, que sangra, sangue que escorre que se misturam a lágrimas, lágrimas que já não tenho. Choro minha dor, a dor que se torna prazer, e que retorna a dor ainda mais pesada e intensa. Viver ou morrer, que diferença faz? Morrer é sair do nada para um nada ainda mais absoluto, onde não há dor, pensamentos ou sentimentos. É apenas o fim disso tudo que chamam de vida.
Eu não temo a morte, temo a vida. Viver dói, cansa, perturba, machuca. Já não quero mais fugir, apenas me entregar cansada aos braços da morte. Desejo absoluto pelo adormecimento eterno, sem sonhos ou fantasias, sem medos e tristezas, sem dor, sem vazio.

2 comentários:
Estou boqueaberto..gostei muito pensamentos olha da para fazer umas duas musicas e aproveitar vou te que trabalhar mais suas letras estão cada vez melhores..bjokas..
Valeu meu anônimo preferido... beijos
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